{"id":797,"date":"2016-08-01T11:00:13","date_gmt":"2016-08-01T14:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ciddic.unicamp.br\/ciddic\/?p=797"},"modified":"2016-08-01T11:00:13","modified_gmt":"2016-08-01T14:00:13","slug":"trilha-propria-e-inovadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ciddic.unicamp.br\/ciddic\/trilha-propria-e-inovadora\/","title":{"rendered":"Trilha pr\u00f3pria (e inovadora)"},"content":{"rendered":"<div class=\"field field-name-field-artigo-autor field-type-link-field field-label-above\">\n<div>Fonte da not\u00edcia: <a href=\"http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/663\/trilha-propria-e-inovadora\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/663\/trilha-propria-e-inovadora<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"field-item even\">Texto: <a href=\"mailto:bel@unicamp.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Isabel Gardenal<\/a> &#8211; Fotos: <a href=\"mailto:scarpa@reitoria.unicamp.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Antonio Scarpinetti<\/a> &#8211; Edi\u00e7\u00e3o de Imagens: <a href=\"mailto:andre.vieira@reitoria.unicamp.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Andr\u00e9 da Silva Vieira<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-798\" src=\"http:\/\/www.ciddic.unicamp.br\/ciddic\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/diss_mestrado.jpg\" alt=\"Foto disserta\u00e7\u00e3o de mestrado\" width=\"700\" height=\"492\" srcset=\"https:\/\/www.ciddic.unicamp.br\/ciddic\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/diss_mestrado.jpg 700w, https:\/\/www.ciddic.unicamp.br\/ciddic\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/diss_mestrado-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.ciddic.unicamp.br\/ciddic\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/diss_mestrado-350x245.jpg 350w, https:\/\/www.ciddic.unicamp.br\/ciddic\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/diss_mestrado-24x17.jpg 24w, https:\/\/www.ciddic.unicamp.br\/ciddic\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/diss_mestrado-36x25.jpg 36w, https:\/\/www.ciddic.unicamp.br\/ciddic\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/diss_mestrado-48x34.jpg 48w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"field field-name-field-artigo-autor field-type-link-field field-label-above\">Na m\u00fasica erudita, muitas mulheres brasileiras, profissionais da \u00e1rea, ainda encontram obst\u00e1culos para inser\u00e7\u00e3o nesse mercado e para serem reconhecidas. Trata-se de um dom\u00ednio majoritariamente masculino e por isso elas precisam conquistar seu espa\u00e7o com compet\u00eancia e determina\u00e7\u00e3o. A compositora mineira Maria Helena Rosas Fernandes conquistou o seu. Ao longo dos anos, ela foi estabelecendo o caminho que quis e n\u00e3o se deixou levar pelos movimentos musicais que ocorriam no Brasil a partir da d\u00e9cada de 1970.<\/div>\n<div>\n<p>A compositora n\u00e3o construiu uma obra sobre a ideia p\u00f3s-rom\u00e2ntica e nem serial ou dodecaf\u00f4nica, embora tivesse experimentado um pouco de cada coisa e estudado com professores que defendiam determinadas correntes est\u00e9ticas. N\u00e3o se filiou ao nacionalismo de M\u00e1rio de Andrade, personificado nas figuras de Camargo Guarnieri e Osvaldo Lacerda, nem tampouco foi pelo caminho do Grupo M\u00fasica Nova, de vanguarda no \u00e2mbito da m\u00fasica erudita, que se sobressaiu tamb\u00e9m pelos Festivais M\u00fasica Nova.<\/p>\n<p>\u201cMaria Helena tra\u00e7ou um caminho pr\u00f3prio e uma linguagem muito particular dentro da composi\u00e7\u00e3o brasileira, desenvolvida e aprofundada a partir de sua segunda fase composicional, na qual planejou trilhar por caminhos individuais e inovadores\u201d, constatou Juliana Abra na sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado apresentada ao Instituto de Artes (IA). O trabalho foi orientado pela docente do IA Lenita Nogueira e coorientado pela tamb\u00e9m docente do IA Denise Garcia.<\/p>\n<p>O principal objetivo da mestranda foi elaborar um cat\u00e1logo comentado musicalmente da obra completa da compositora (a partir de an\u00e1lises das partituras e entrevistas com a artista), definir fases composicionais dessa carreira e tecer considera\u00e7\u00f5es mais profundas das pe\u00e7as de amostragem de cada uma das fases, com vistas a aproximar o leitor dessa obra e demonstrar suas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>O cat\u00e1logo conta com 72 pe\u00e7as para diversas forma\u00e7\u00f5es, incluindo \u00f3peras, pe\u00e7as orquestrais, pe\u00e7as para instrumentos solo, coro a <em>capella<\/em> e m\u00fasica de c\u00e2mara. A mestranda pretende em breve public\u00e1-lo para que seja melhor divulgado o trabalho de Maria Helena e para que todos os interessados tenham acesso a esse conte\u00fado.<\/p>\n<p>Tecnicamente, o cat\u00e1logo apresenta uma ficha catalogr\u00e1fica para cada composi\u00e7\u00e3o (com t\u00edtulo, ano da composi\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o instrumental, edi\u00e7\u00e3o, localiza\u00e7\u00e3o do manuscrito, dura\u00e7\u00e3o, estreia, premia\u00e7\u00f5es, grava\u00e7\u00f5es e outras informa\u00e7\u00f5es) e coment\u00e1rios musicais, os quais podem tratar sobre a forma, a estrutura, o g\u00eanero, o material musical, a tem\u00e1tica extramusical, as caracter\u00edsticas do processo composicional, a r\u00edtmica e a instrumenta\u00e7\u00e3o de cada pe\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Carreira<\/strong><\/p>\n<p>Juliana averiguou a riqueza da obra da artista, que vai se revelando em camadas. \u201cEste material \u00e9 complexo e necessita ser olhado cuidadosamente, pois cada pe\u00e7a se mostra uma obra completamente diferente, trazendo, em geral, algum tema extramusical em torno do qual se desenrola o processo composicional.\u201d<\/p>\n<p>A partir da an\u00e1lise dos objetos de pesquisa, a autora definiu tr\u00eas per\u00edodos distintos e suas carater\u00edsticas na carreira da compositora. Na fase 1, chamada \u201cInicia\u00e7\u00e3o\u201d (de 1970 a 1977), a artista come\u00e7ou a compor.<\/p>\n<p>Na fase 2, intitulada \u201cExperimenta\u00e7\u00e3o\u201d (de 1977 a 1982), inseriu elementos ind\u00edgenas em suas composi\u00e7\u00f5es, escrevendo para forma\u00e7\u00f5es diferenciadas como sopros e percuss\u00e3o. Com sua primeira pe\u00e7a com elementos ind\u00edgenas, <em>Territ\u00f3rios e ocas<\/em> (1977), a artista ganhou o 2\u00ba lugar no Pr\u00eamio Esso de M\u00fasica Erudita no Rio de Janeiro, em 1979.<\/p>\n<p>Na fase 3, denominada \u201cLiberta\u00e7\u00e3o\u201d (a partir de 1983 at\u00e9 o momento), a compositora passou a trabalhar mais livremente e a fazer composi\u00e7\u00f5es mais longas e complexas, quando comparadas \u00e0s fases anteriores. Com essa tend\u00eancia, foram compostas as \u00f3peras <em>Mar\u00edlia de Dirceu<\/em>, em 1994, com dura\u00e7\u00e3o de 1h30min; e <em>Anita Garibaldi<\/em>, de 2011, de 1h06min, al\u00e9m de pe\u00e7as orquestrais como uma sinfonia (<em>Sinfonia das \u00e1guas cantantes<\/em>, 2010) e um <em>Piano Concertato<\/em> (Encantada, 2013) e outras.<\/p>\n<p>Dentre essas fases, se destacaram a segunda e a terceira, que inclu\u00edram composi\u00e7\u00f5es com influ\u00eancias da m\u00fasica ind\u00edgena e temas extramusicais como elementos condutores do processo composicional. \u201cA obra da compositora \u00e9 singular e rica, porque parte de elementos tipicamente brasileiros para compor uma obra original. Ela tem, por exemplo, obras sobre elementos ind\u00edgenas (cantos, rituais, lendas), a natureza (paisagens, cantos de p\u00e1ssaros) e fatos hist\u00f3ricos\u201d, situou.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, Maria Helena se destacou pela m\u00fasica de c\u00e2mara, ou seja, aquela executada por um pequeno n\u00famero de m\u00fasicos. Apesar disso, at\u00e9 o momento, sua pe\u00e7a mais tocada \u00e9 o Ciclo no 1 (1977), para piano-solo.<\/p>\n<p>Uma contribui\u00e7\u00e3o da compositora foi a doa\u00e7\u00e3o de uma c\u00f3pia de toda sua obra para o meio acad\u00eamico, em 2015, a pedido de Juliana, que agora est\u00e1 sob a guarda do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o de M\u00fasica Contempor\u00e2nea (CDMC) da Unicamp. Considerando a dificuldade de acesso \u00e0s obras de compositores contempor\u00e2neos, dispon\u00edveis geralmente somente em acervos pessoais, esta \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o que enriquece o acervo da Unicamp e facilita o acesso \u00e0 sua obra.<\/p>\n<p>\u201cMaria Helena \u00e9 detentora de uma obra incr\u00edvel, com amplo material a ser tocado, ouvido, estudado, interpretado e divulgado. \u00c9 uma compositora \u00fanica e corajosa, visto que n\u00e3o se importou em vender sua produ\u00e7\u00e3o ou participar de grupos fechados. Antes, fez da sua obra sua maneira de ver o mundo e de express\u00e1-lo em sons\u201d, pontuou a mestranda. \u201cEsse trabalho abre caminho para pesquisas futuras e auxilia a localiza\u00e7\u00e3o e o contato com a obra.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Talento<\/strong><\/p>\n<p>Maria Helena nasceu em 8\/7\/1933 em Braz\u00f3polis, MG. Morou em Campinas, onde trabalhou como professora de m\u00fasica em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es e como estudante do IA em cursos de extens\u00e3o. Desde 2002, reside em Po\u00e7os de Caldas-MG com seu marido, Cl\u00e1udio Fernandes.<\/p>\n<p>A artista come\u00e7ou a tocar o piano de sua m\u00e3e ainda crian\u00e7a. Depois estudou em alguns conservat\u00f3rios mineiros. Fez o curso superior de piano no Conservat\u00f3rio de M\u00fasica do Rio de Janeiro e tamb\u00e9m o curso superior de Composi\u00e7\u00e3o e Reg\u00eancia da Faculdade Santa Marcelina, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Foi aluna de grandes nomes da m\u00fasica brasileira como Osvaldo Lacerda, H. J. Koellreutter, Almeida Prado, Souza Lima. Sempre se dedicou \u00e0 m\u00fasica. Sua carreira composicional foi premiada no Brasil e no exterior. Aos 82 anos, continua ativa, realizando suas composi\u00e7\u00f5es e divulgando sua obra. Al\u00e9m de compositora brasileira de m\u00fasica erudita e pianista, \u00e9 regente e professora.<\/p>\n<p>Foi idealizadora e organizadora dos Encontros Internacionais de Mulheres Compositoras. Como pesquisadora na \u00e1rea de m\u00fasica ind\u00edgena brasileira, tem ministrado palestras no Brasil, Alemanha, It\u00e1lia, Estados Unidos, Argentina. Suas pe\u00e7as estrearam em Festivais M\u00fasica Nova, Bienais de M\u00fasica Contempor\u00e2nea Brasileira e Concursos Latino-Americanos e tamb\u00e9m foram gravadas por m\u00fasicos brasileiros como Luciana Soares e Sylvia Maltese.<\/p>\n<p>Entre as suas premia\u00e7\u00f5es, sobressaem o 1\u00ba Pr\u00eamio Governador do Estado da Bahia, Salvador, por Dawawa Tsawidi (1979); 2\u00ba lugar no Pr\u00eamio Esso de M\u00fasica Erudita, no Rio de Janeiro (1979), pela pe\u00e7a <em>Territ\u00f3rios e ocas<\/em> (1977); 1\u00b0 pr\u00eamio no III Concurso Latino-Americano de Composi\u00e7\u00e3o, Montevid\u00e9u, Uruguai (1988) por Nakutnak (1987); 1\u00ba lugar no Pr\u00eamio<em> Nancy Van de Vate Internacional Composition Prize for Opera<\/em>, Viena, \u00c1ustria (2006) com a \u00f3pera <em>Mar\u00edlia de Dirceu<\/em> (1994). Recebeu a comenda Carlos Gomes (2010) e o pr\u00eamio da Associa\u00e7\u00e3o dos Cr\u00edticos de Arte de S\u00e3o Paulo (2013), em m\u00fasica erudita, pelo conjunto de sua obra.<\/p>\n<p>Seu trabalho \u00e9 citado em v\u00e1rios livros da Hist\u00f3ria da M\u00fasica do Brasil e tamb\u00e9m na Aaron Cohen International Encyclopedia of Women Composers, USA (1987), e no New Grove Dictionary of Women Composers. \u00c9 membro da Sociedade Brasileira de M\u00fasica Contempor\u00e2nea e da International Honour Committee da Fondazione Adkins-Chiti Donne in Musica, Roma, It\u00e1lia.<\/p>\n<p><strong>Publica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Disserta\u00e7\u00e3o<\/strong>: \u201cMaria Helena Rosas Fernandes: cat\u00e1logo comentado da obra completa e fases composicionais\u201d<\/p>\n<p><strong>Autora<\/strong>: Juliana Abra<\/p>\n<p><strong>Orientadora<\/strong>: Lenita W. M. Nogueira<\/p>\n<p><strong>Coorientadora<\/strong>:\u00a0Denise H. L. Garcia<\/p>\n<p><strong>Unidade<\/strong>: Instituto de Artes (IA)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte da not\u00edcia: http:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/ju\/663\/trilha-propria-e-inovadora Texto: Isabel Gardenal &#8211; Fotos: Antonio Scarpinetti &#8211; Edi\u00e7\u00e3o de Imagens: Andr\u00e9 da Silva Vieira Na m\u00fasica erudita, muitas mulheres brasileiras, profissionais da \u00e1rea, ainda encontram obst\u00e1culos para inser\u00e7\u00e3o nesse mercado e para serem reconhecidas. 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